3º Trimestre | 2015

Tratamos nos dois primeiros boletins informativos sobre o nosso Programa de Acervo, pontuando o processo de restauro, monitoramento e conservação permanentes das obras da coleção a partir de 2009, bem como do restauro específico realizado em uma escultura da artista Felícia Leirner que não pertence ao acervo do Museu, mas que fica localizada em uma praça pública na cidade de Campos do Jordão – a obra “Centenário”.

No presente boletim informativo pretende-se discorrer sobre a importância da conservação de nosso patrimônio, destacando a aquisição de uma “nova” escultura da artista Felícia Leirner, incorporada à coleção durante o segundo semestre de 2014.

O patrimônio – entendido como conjuntos de bens materiais e imateriais cuja preservação é de interesse público – é responsável pela preservação da memória de qualquer sociedade tendo, por este motivo, papel fundamental para o reconhecimento e a identidade de um povo, bem como para o estabelecimento de referências importantes para a construção de seu futuro. Através do patrimônio, a história ganha vida, e a sua compreensão e assimilação torna-se muito mais factível e prazerosa. Nesta perspectiva, podemos compreender a coleção de esculturas do Museu como o testemunho de uma época, de uma sociedade e de um pensamento, contextualizados dentro de uma realidade específica.

Já mencionamos anteriormente o caráter específico da coleção que, além de estar exposta à céu aberto, ainda teria sido organizada pela própria artista. Esta disposição levou em conta a cronologia, o que permitiu a divisão das obras em cinco diferentes “fases”: Figurativa – 1950 a 1958; A caminho da abstração – 1958 a 1961; Abstrata – 1963 a 1965;Orgânica – 1966 a 1970 e Recortes na paisagem – 1980 a 1982. Evidencia-se nesta cronologia, portanto, o reflexo das mudanças que se processavam no próprio universo das artes, onde o figurativo abria cada vez mais espaço para as peças abstratas de uma maneira geral.

Outra especificidade do Museu Felícia Leirner recai sobre o fato de possuirmos um acervo expositivo fixo. Tal característica poderia parecer, à primeira vista, um fator desmotivador para o retorno do público ao Museu em ocasiões distintas. Na prática isso não ocorre, uma vez que a natureza circundante oferece em cada época uma paisagem diferente e uma nova maneira da coleção se apresentar em relação a esta paisagem.

O visitante que frequenta o Museu deve ter notado que a partir de meados de 2014 o conjunto cresceu. A aquisição da escultura Maternidade, de 1952, esculpida em granito por Felícia Leirner, deu-se através da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e da ACAM Portinari e permitiu a expansão do discurso relativo à produção da artista.

Em se tratando de patrimônio, todo cuidado é pouco para que não se interfira na sua interpretação ou apreciação, manipulando realidades e contextos. No caso da aquisição da nova peça, estes cuidados também nortearam a ação. A escolha do novo local de exposição foi orientada pela equipe de conservação e restauração e levou em conta o fato do conjunto anterior ter sido inteiramente posicionado pela própria Felícia Leirner. Assim sendo, apesar da nova obra remeter à fase Figurativa da artista, ela foi instalada em área distinta, evidenciando ao público que a sua incorporação teria sido posterior a data de inauguração do Museu. Acredita-se, desta forma, que a ampliação da coleção seja de importância elevada para o estudo do trabalho da artista pois evidencia aspectos de grande relevância para sua biografia, como as notáveis influências adquiridas pelo contato com o escultor Victor Brecheret. E vale lembrar que esta ação também reforça a missão da instituição, em todas as suas particularidades, dando visibilidade à obra da artista e preservando a sua memória.

Se você ainda não teve o privilégio de conhecer mais esta peça da artista Felícia Leirner, nós o convidamos para uma nova visita ao nosso acervo. Temos certeza de que vai se surpreender com o caráter único da
escultura Maternidade.

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